No mesmo dia em que publiquei a última nota acerca da Lei das Sementes, foi para o ar um comentário acerca do mesmo tema no podcast Eat This, do comunicador de Ciência da Bioversity International, Jeremy Cherfas. A análise que ele fez é altamente recomendável, porque é alguém que acompanha o tema há décadas e que toca em pontos muito importantes.

Entretanto, houve 2 mais peças jornalísticas nacionais de que me apercebi, com qualidade contrastante:

1) uma emissão do Portugal em Directo, na Antena 1, no dia 28 de Maio, colocando frente-a-frente um associado da Associação Colher para Semear e o secretário-geral da CAP, Luís Mira. Esta foi uma má peça jornalística, sobretudo porque a moderadora (Cláudia Costa?) não se deu ao trabalho de ler a legislação (referiu, de resto, que “ninguém vai ler uma lei com cento e tal páginas”, o que me pareceria razoável que um jornalista fizesse), concluindo simplesmente que há opiniões diferentes acerca da lei.

2) um artigo no Público, da jornalista Ana Fernandes, no jornal de domingo, dia 26 de Maio, que, apesar da inevitabilidade de deixar alguma matéria por cobrir, me parece um bom trabalho, já que procurou a opinião de vários interessados na sociedade portuguesa: a coordenadora da Campanha pelas Sementes Livres, Lanka Horstink (que creio ser a pessoa melhor informada a este respeito nas hostes activistas em Portugal; ver opinião aqui), os eurodeputados João Ferreira (Comissão do Ambiente) e Capoulas Santos (Comissão da Agricultura), um produtor agrícola e um produtor/comerciante de sementes.

Ainda muita água vai correr debaixo desta ponte mas, felizmente, depois de um arranque algo desorientado, a opinião pública começa a ser melhor informada. Esta semana farei uma análise aos pontos à volta dos quais me parece ser importante centrar os esforços para alterar a proposta de lei.